8/01/2010

No sítio errado, na altura errada...

Os jornais e telejornais retractam diariamente situações destas, onde actos irreflectidos de criminalidade não organizada resultam em factos de chocante violência. Fica-se com a sensação que se mata e se pode morrer por muito pouco...




Mas será que a percepção desse aumento de exposição ao risco é interpretado e assumido por todos, da mesma maneira e à escala do problema?
Os factos provam que não e a regra é que a maioria desvaloriza a sua própria situação relativamente aos “outros”.


Mas as coisas não acontecem só aos “outros” e são muitos aqueles que já relatam na primeira pessoa, situações de risco por que passaram recentemente ou que aconteceram a pessoas próximas. O que quererá isto dizer? Não será que o risco se está a aproximar?


Com o aumento da crise e das situações de desespero financeiro, a tentação de roubar o alheio aumenta e quem já praticava a “modalidade” tem tendência a ser mais ousado e descarado a fazê-lo. A desculpabilização pessoal surge facilitada pela consciencialização generalizada das dificuldades com que as pessoas vivem em tempo de crise. A sociedade torna-se mais tolerante relativamente a situações de pequeno roubo. Mas por outro lado, quem pratica o pequeno roubo “sente” mais facilidade em roubar, pelo que tenta mais vezes e arrisca mais para o conseguir. Este aumento de exposição ao risco por parte do delinquente aumenta a probabilidade de confronto e por pouco se pode passar a arriscar muito. A precipitação e o nervosismo em pessoas que não estão habituadas a lidar com situações de alto risco, pode levá-las a cometer actos de violência não justificada e desproporcionada, relativamente aos benefícios em causa. Os jornais e telejornais retractam diariamente situações destas, onde actos irreflectidos de criminalidade não organizada resultam em factos de chocante violência.


Basta estar no sítio errado, na altura errada...




Alexandre Chamusca
Consultor Soluções Segurança

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